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O Combi Split brasileiro: uma boa alternativa ao Combi Split original?

Produzido pela Volkswagen do Brasil até 1975, o Combi Split brasileiro divide os apaixonados. Diferenças técnicas, versões de 15 janelas e raridade: será uma verdadeira alternativa ao Split alemão?

23/03/2026

Harald

7 minutos de leitura

Volkswagen

Um pouco de história para perceber de onde vem o Combi Split brasileiro

O fabrico da Combi Split começa na Alemanha em 1950. A sua silhueta e sobretudo a sua frente em V são reconhecíveis entre todas. Esta pequena carrinha económica, robusta e modulável ia conquistar o mundo que, em troca, ia dar-lhe o seu toque pessoal.

O seu irmão mais velho, o VW Carocha, abrira-lhe o caminho do sucesso e levara rapidamente a Volkswagen a criar pontos de venda por todo o mundo, mas não só. Fábricas floresceram depressa em todos os continentes, réplicas das de Wolfsburg e de Hanôver, ex-libris da indústria alemã.

Em 1967, à beira da reforma do Split europeu, a rede, ou antes o império Volkswagen, estava presente em 136 países, contava 8 000 pontos de venda e numerosas fábricas necessárias para assegurar disponibilidade e assistência pós-venda. O sucesso tem as suas receitas!

O Brasil foi rapidamente o segundo país de produção do Cox e do Combi.

Entre 1950 e 1953, o Combi foi aí timidamente importado: 936 unidades. Em 1953, nasce a Volkswagen do Brasil SA, mas a verdadeira aventura só começará com a abertura da fábrica de São Bernardo do Campo, perto de São Paulo, em 1959.

Ouve-se muitas vezes dizer que «o Split brasileiro não é um verdadeiro Split»: verdade ou mentira?

Não foram os chineses que os copiaram e fabricaram nas costas da Volkswagen … foi mesmo segundo os critérios precisos da VW, nas suas fábricas, que estes Combi foram montados e evoluíram um pouco entre 1968 e 1975, à sombra da segunda versão do Combi, o Bay Window.

O Split brasileiro é um pouco como o 1302 e o 1303: ostenta um visual um pouco diferente; ainda assim, estes modelos de Carocha são mesmo Carochas. Foram menos amados, menos procurados do que os modelos anteriores e, por serem mais baratos, voltam à ribalta e merecem ser conhecidos; o Split do Brasil na Europa é o mesmo.

Por volta de 2015, a Versão De Luxe ou SAMBA do Combi Split conheceu um entusiasmo fora do comum nos EUA. Uma febre que se propagou depressa à Europa, onde os preços das de 21 e 23 janelas descolaram por sua vez. Justificado ou não, fez disparar o valor das outras versões do Split e levou alguns a mandar restaurar «De Luxe do Brasil» antes de as importar para o nosso continente.

Daí a fazer passar uma brasileira por alemã, foi só um passo ... de samba.

Combi Split Brazil

Mas voltemos um pouco à história da génese do Split brasileiro, evocada um pouco mais acima.

Quando a VW do Brasil abre a sua fábrica perto de São Paulo, ficou especificado nos acordos com as autoridades que o Transporter seria montado a 50/50: 50% de peças alemãs importadas e 50% de peças fabricadas no Brasil. Rapidamente e por razões de custos e de otimização face à procura, esta proporção passará a 95/5, a favor do Brasil. De passagem (sem prendas), percebe-se melhor a profusão de peças «made in Brazil» presentes no mercado de peças sobresselentes para os nossos VW.

Os Combi Split brasileiros foram, pois, montados (na grande maioria) com peças provenientes da indústria do país do carnaval. Serão por isso falsos ou medíocres Split? Não, uma vez que os padrões alemães eram draconianos e que a VW não se poderia permitir concessões na qualidade dos veículos vendidos nos seus concessionários, ainda que no estrangeiro.

Combi Split Brazil

Que diferenças há entre um Combi Split alemão e um Combi Split brasileiro?

Especificidades técnicas e diferenças estéticas.

Desde a estreia até à saída em 1975, o Split brasileiro manteve-se equipado com um eixo traseiro de trompetas e redutores; não passou a cardans entre 1968 e 1975 como o Bay alemão. Mantém jantes de visual antigo, com furação 5 x 205 e continua equipado com travões dianteiros de tambor. Sendo trompetas e tambores a base de um bom samba, o Split do Brasil está completamente «no tema», como diria a Cristina.

Em termos de estilo, o grande logótipo VW da frente está embutido na chapa da fachada; os pick-up têm ainda um logótipo do mesmo tipo no taipal traseiro.

A carroçaria geral parece ter ficado parada em 1963; as portas têm dobradiças altas equivalentes às dos primeiros Combi, os puxadores são anteriores a 1960, de alavanca.

A verdadeira diferença encontra-se nas versões envidraçadas como o de 15 janelas, que é, tal como o de 13 janelas alemão, o Split mais corrente. As versões brasileiras de 15 janelas são visualmente comparáveis às de 23 janelas europeias; conservam os vidros curvos dos cantos traseiros, mas não têm as pequenas claraboias ovais situadas ao longo do tejadilho e não têm teto de lona panorâmico. Foi assim que muitos Split 15 janelas brasileiros foram «operados» para serem transformados em (falsos) 23 janelas, com teto panorâmico e acessórios de Luxe. O Brasil é conhecido por ser o país da cirurgia estética. É apenas uma questão de comparação, desde que não haja confusão de géneros, está tudo bem. Algumas pessoas (como o meu dentista) fazem a confusão entre as duas, erradamente.

Houve outras versões exclusivas do Brasil, como o Combi de 6 portas, criado para o transporte de pessoas. A par dos Combi e dos Carochas, a VW do Brasil teve as suas próprias produções: já viu ou ouviu falar dos VW SP2, Puma GT, Variante, Brasília … ? Tal como os Combi, várias destas produções locais saem regularmente do Brasil, restauradas ou não, importadas por colecionadores avisados ou por empresas que farejaram uma oportunidade de negócio. Alguns destes profissionais são muito profissionais e mais vale passar por eles se a burocracia e as dores de cabeça da importação não estiverem no seu âmbito.

Se deseja adquirir um veículo proveniente da América do Sul, informe-se no Google e dê-se ao trabalho de selecionar entre as ofertas, ou poderá ficar com um cozido sem chouriço.

Combi Split Brazil

Concorda-se em dizer que a versão alemã do Split é sobrevalorizada em relação à fabricada no Brasil, mas na realidade, não será o inverso?

Os Combi Split brasileiros poderão em breve ter a sua desforra pois, ao contrário do que se poderia pensar, são muito mais raros do que os Combi alemães: pouco mais de 900 000 Combi Split foram produzidos no Brasil até 1975, antes da chegada do Bay Window brasileiro. Acrescente-lhe as suas especificidades e perceberá todo o interesse de possuir um 15 janelas brasileiro.

Num mundo sonhado por qualquer colecionador, o ideal seria ter as duas versões: a alemã e a brasileira, permitiria mudar de Split todos os dias …

Harald Adam

Harald

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